O Instituto Patrícia Galvão, organização social sem fins lucrativos voltada à comunicação e direitos das mulheres, lançou hoje (27) uma plataforma na internet direcionada a jornalistas e comunicadores independentes com dados sobre a violência contra a mulher.

 

A ferramenta funciona como um dossiê e entra no ar em agosto, trazendo as últimas pesquisas publicadas sobre assuntos como violência doméstica, sexual, feminicídio e violência de gênero na internet (como a pornografia de vingança). O objetivo é agregar mais conteúdo futuramente e inserir outras formas de violência. A plataforma traz também um banco de fontes, inicialmente com os contatos de 100 especialistas no assunto.

 

Um dos papéis do site é facilitar o acesso da imprensa ao material do instituto para diminuir os preconceitos quando o tema surge na cobertura dos veículos de comunicação, além de apoiar os comunicadores independentes e ativistas. “Na última década, a gente teve a grande expansão do feminismo na internet”, disse Maíra Kubik, professora em Estudos de Gênero e Diversidade, do departamento de Ciência Política, da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

 

“A gente pode situar a violência como a ruptura de qualquer forma de integridade, seja psíquica e sexual. Da forma como a sociedade está constituída, coloca determinados grupos em posições de superioridade e inferioridade. No caso das relações de gênero, a gente pode simplificar com o nome de machismo. As mulheres seriam inferiores na sociedade”, explica.

 

Membro da organização não governamental Cidadania, Estudo, Pesquisa Informação e Ação (Cepia) Jacqueline Pitanguy defende que a mídia precisa deixar de julgar com tanta perversidade as mulheres que demoram a sair de uma relação em que sofrem violência doméstica.

 

“A violência doméstica é repetição e tem uma direção, normalmente os homens batem e as mulheres apanham. Os homens ofendem, as mulheres se sentem humilhadas. É uma destruição também muito frequente do espaço doméstico, que representa o ambiente de segurança. Mas ocorre entre tapas e beijos. Não dá para tratar de violência doméstica, sem tratar da ambiguidade dos sentimentos humanos. Se não entendermos isso, fica muito fácil julgar a mulher”, declarou Jacqueline.

 

O professor de filosofia do Coletivo Feminista de Sexualidade e Saúde Sérgio Barbosa, que trabalha com homens autores de violência, disse que o perfil dos parceiros que cometem a agressão é recorrente. “Todos que chegam ao coletivo carregam o mesmo perfil, desconheciam que bater em mulher era crime. Chegam resistentes, mas no processo encontram outros homens e a desconstrução da violência também passa por um processo coletivo”, explica. Para o especialista, a imprensa precisa informar que existe também a superação para esses homens.

 

A secretária de Política para as Mulheres da Presidência da República, Aline Yanamoto, comentou sobre o feminicídio, a morte violenta de mulheres por razão de gênero. O percentual de mulheres assassinadas entre as mortes violentas é 10% no Brasil. “Mas tem uma peculiaridade muito sensível, as mulheres estão mais vulneráveis por serem mulheres. Cerca de 16 países tipificaram o feminicídio, esse cenário vem muito amparado pelo dado gravíssimo de que os países da América Latina estão entre os que mais ocorrem o feminicídio”, disse ela.

 

O juiz titular da 1ª Vara do Júri de Campinas, José Henrique Torres, citou uma decisão em que autorizou o aborto de um feto anencefaliano. Para ele, a questão é um problema terrível no país, pois o sistema de saúde não consegue enfrentar a necessidade do aborto legal. “Há uma necessidade imensa de que os juízes entendam a dimensão da violência contra a mulher. Isso vem de uma ideologia patriarcal que todos conhecem muito bem”, declarou.

 

Fonte: Agência Brasil

Os mutuários que contribuem para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) terão uma opção a mais para o financiamento da casa própria. A Caixa Econômica Federal liberou R$ 4 bilhões para a linha de crédito imobiliário pró-cotista, criada pelo Conselho Curador do FGTS em maio.

 

A linha financia até 85% de imóveis que custam até R$ 400 mil com prazo máximo de 360 meses (30 anos). As taxas efetivas de juros variam de 7,85% a 8,85% ao ano, dependendo do grau de relacionamento do cliente com a Caixa. Quem é correntista ou tem conta-salário no banco é beneficiado com taxas menores.

 

De acordo com a Caixa, o banco destinou em 2015 R$ 1,35 bilhão a clientes que procuraram a linha pró-cotista. Para ter direito a essa modalidade de crédito, o mutuário não pode ser proprietário de imóvel no município onde reside ou trabalha, nem nos municípios vizinhos ou integrantes da mesma região metropolitana.

 

O cliente precisa ainda ter contribuído ao FGTS por pelo menos 36 meses, consecutivos ou não. Caso o cliente não tenha contrato de trabalho ativo, deve ter saldo em conta vinculada do FGTS correspondente a, no mínimo, 10% do valor do imóvel.

 

A Caixa é o segundo banco oficial a reforçar o orçamento das linhas pró-cotista nos últimos dias. Ontem (24), o Banco do Brasil liberou R$ 1 bilhão para a modalidade de crédito. O banco financiará até 90% do valor dos imóveis, também na faixa de até R$ 400 mil, com juros de 9% ao ano.                                                       

 

Fonte: Agência Brasil

A Agência Europeia de Medicamento (EMA) aprovou hoje (24) a vacina experimental mais avançada do mundo contra a malária. A vacina foi batizada de "RTS,S" ou "Mosquirix", da empresa de produtos biológicos "GlaxoSmithKline" (GSK).

 

Destinada às crianças entre seis semanas e 17 meses, a vacina ultrapassa uma das últimas etapas antes da comercialização, mas ainda será necessária a recomendação da Organização Mundial da Saúde  antes de uma eventual difusão, principalmente na África.

 

De acordo com um estudo feito ao longo de vários anos, publicado em abril, a "RTS,S" tem uma eficácia modesta e baixa ao longo do tempo, mas é atualmente a vacina experimental mais promissora contra à malária. A doença mata, em média por dia 1,2 mil crianças na África subsaariana.

 

A vacina destina-se "a imunizar as crianças com idades entre as seis semanas e os 17 meses contra a malária e a hepatite B. Após décadas de investigação sobre a vacinação contra a malária a 'Mosquirix' é a primeira vacina contra a doença a ser avaliada por uma autoridade de regulação", indicou a EMA, com sede em Londres.

 

Com base nos resultados do estudo feito a Comissão dos medicamentos para uso humano da EMA concluiu que, apesar da eficácia limitada, a relação sobre benefício e risco da 'Mosquirix' é favorável nos dois grupos de idade estudados.

 

Estudos  em bebês

O estudo foi feito em um grupo de bebês, de seis a 12 semanas, e em outro, de cinco a 17 meses, em uma amostra total de aproximadamente 15,5 mil crianças de sete países africanos (Burkina-Faso, Gabão, Gana, Malaui, Moçambique, Quénia, e Tanzânia).

Alguns bebês receberam uma injeção de reforço 18 meses após a última dose da vacina inicial, que foi administrada em três doses durante os três primeiros meses de vida. Nos lactentes a vacinação inicial foi seguida por uma dose de reforço, a redução das crises foi 26% nos três anos de monitorização, mas não se registou uma proteção significativa contra os ataques graves de malária.

Nas crianças que receberam uma dose de reforço, o número de episódios clínicos simples de malária depois de quatro anos baixou um pouco mais de um terço (36%). Sem dose de reforço, a vacina não demonstrou eficácia significativa contra a malária grave neste grupo etário.

"Temos finalmente uma vacina que funciona, mas não tão bem quanto esperávamos a princípio", reagiu Nick White, professor de medicina tropical na Universidade Mahidol em Banguecoque e em Oxford (Reino Unido).

Na quarta-feira (22), o médico Ripley Ballou, responsável pela investigação de vacinas na GSK, considerou ter sido dado "um passo significativo": "Trabalhei 30 anos nesta vacina e é um sonho tornado realidade."

A malária, devido ao parasita 'Plasmodium' transmitido por mosquitos, matou 584 mil pessoas em todo o mundo em 2013, sobretudo na África, de acordo com a OMS. As crianças com menos de cinco anos de idade representam pelo menos três quartos destas mortes.

Fonte: Agência Brasil

Pessoas que sofreram acidente de trabalho, violência sexual ou que tiveram uma relação sexual consentida, sem preservativo, poderão buscar medicamento preventivo contra a aids na rede pública. O Ministério da Saúde criou regras para oferecer remédios destinados a prevenir a contaminação pelo HIV depois da exposição ao risco.

 

O consumo do preventivo, conhecido como profilaxia pós-exposição (PEP), dura três meses. O aconselhável é que a pessoa procure o serviço de saúde até 72 horas depois da exposição de risco, mas o ideal é que seja até duas horas depois.

 

O coquetel de medicamentos é oferecido desde 1990 a profissionais de saúde após contato com material potencialmente contaminado. Em 1998, a PEP foi liberada para vítimas de violência sexual. A partir de 2011, qualquer pessoa que teve relação sexual de risco passou a ter direito ao tratamento, mas até hoje ainda não havia regras para a indicação.

 

Na prática, com o documento publicado hoje no Diário Oficial da União, o governo pretende ampliar a oferta e facilitar a prescrição dos medicamentos para que, mesmo em serviços sem médicos especialistas, o paciente possa prevenir a infecção.

 

O primeiro atendimento após a exposição ao HIV é considerado emergência médica. Ao todo, são 28 dias consecutivos de uso dos quatro medicamentos antirretrovirais previstos no protocolo: tenofovir, lamivudina, atazanavir e ritonavir.

 

Fonte: Agência Brasil

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