25/08: SEBRAE ESTUDA POSSIBILIDADE DE SE TORNAR SÓCIO DE EMPRESAS INOVADORAS

A diretora técnica nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Heloisa Menezes, disse que a instituição finaliza um estudo sobre a possibilidade de se tornar investidora em alguns fundos de empresas inovadoras.

 

“Há possibilidade de, a partir de 2016, o Sebrae atuar também como possível investidor em fundos de empresas inovadoras e, dessa forma, em vez de subsidiar, ser sócio de alguns empreendimentos inovadores”, disse ela à Agência Brasil na noite de ontem (24), durante a 15ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica. Organizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), o evento ocorre até o dia 26 em Cabo de Santo Agostinho (PE).

 

Segundo a diretora nacional do Sebrae, a ideia é amenizar as dificuldades que as empresas encontram para obter crédito em instituições financeiras. “Inovar é correr risco. É participar. O mercado bancário cria dificuldades porque inovação é uma atividade de risco, e bancos têm aversão a riscos.”

 

“Ao nos tornarmos um investidor a mais [dos fundos de investimentos dessas empresas], não só faremos um acompanhamento maior do trabalho de assessoria continuada, compartilhando o conhecimento que temos, como também participaremos das decisões da empresa”, acrescentou.

 

A novidade foi bem recebida pelo presidente da Anpei, Gerson Valença Pinto. “O Sebrae desempenha papel importante de transformar pequenos e médios negócios, pela capilaridade que tem. Ao sinalizar com essa possibilidade, favorece [uma aproximação entre] o espírito empreendedor e a inovação. [Isso] só tende a fortalecer essas empresas.”

 

Análise de portifólios

 

De acordo com a diretora do Sebrae, a finalização da proposta depende ainda de uma análise que está sendo feita nos portfólios das empresas com o perfil desejado. “Fechando esses trabalhos, vamos apresentar à diretoria e ao conselho do Sebrae os portfólios de gestão dos fundos mais interessantes. Isso deve ser feito ainda este ano”, informou Heloisa.

 

A expectativa é que, caso seja aprovada ainda em 2015, a proposta comece a ser implementada em 2016. “Estou otimista porque essa ideia está aliada à ambiência de atuação do Sebrae.”

 

*O repórter viajou a convite da Anpei

 

Fonte: Agência Brasil – repórter Pedro Peduzzi - Enviado Especial

Em 27 e 28 de agosto, profissionais de formação universitária do Uruguai, Argentina, Nicarágua, Peru e Índia se encontram para traçar um panorama sobre trabalho e organização sindical na América Latina e no Brics.

 

Com esse principal objetivo, a CNTU promove a segunda edição do Seminário Internacional de Integração dos Trabalhadores Universitários, nos dias 27 e 28 de agosto, em São Paulo.
Com a participação de representantes de entidades do Uruguai, Argentina, Nicarágua, Peru e Índia, o evento pretende contribuir com a reflexão e a formulação de estratégias que estimulem a integração entre os profissionais, propiciando o fortalecimento do movimento sindical, a valorização do trabalho e o desenvolvimento sustentável global. A diretora da Regional Sudeste da Fenafar e do Sinfarmig, Júnia Lelis, estará presente no evento.

 

A diretora vê com bons olhos a aproximação dos países: “O desejo de aproximação entre os países latino-americanos é histórico, mas houve períodos em que o Brasil virou as costas para os vizinhos como na década de 1990. Com os governos progressistas de Lula e Dilma, essa história mudou. Por isso, saudamos esse encontro como uma rica oportunidade para nos alinharmos aos países de governos progressistas e democráticos latino-americanos que têm a chance de pensar numa agenda comum e assim ganhar mais expressividade e protagonismo no cenário internacional”.       

 

“Um dos nossos objetivos é colaborar para intensificar as relações sindicais internacionais dos profissionais universitários. O seminário será uma ótima oportunidade para estreitar esses laços”, avalia Welington Moreira Mello, coordenador do Departamento de Relações Internacionais da CNTU.

 

A programação começa com a palestra “A importância dos trabalhadores universitários no sindicalismo internacional”, que será proferida pelo diretor adjunto do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Stanley Gacek. Para Gacek, é fundamental o fortalecimento das organizações que representam os trabalhadores.

 

"Há uma precarização das condições de trabalho no mundo todo. O fortalecimento das organizações sindicais e a reivindicação de seus direitos no mundo inteiro é absolutamente imprescindível para a consolidação do diálogo social, um alicerce fundamental da OIT", declarou Stanley Gacek.

 

O II Seminário Internacional de Integração dos Trabalhadores Universitários será realizado no auditório do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp), localizado na rua Genebra, nº 25, Bela Vista, em São Paulo.

 

Com informações da Assessoria de Imprensa CNTU (Renata Dias)

O avanço da liberalização ampla do mercado de trabalho pelo capitalismo digital cria uma massa de mão de obra ultra-flexível, cada vez mais exposta à ocupação precária e desprotegida

 

Da Rede Brasil Atual - Por Marcio Pochmann - publicado 23/08/2015

 

Trabalho a qualquer hora e em qualquer lugar. Avanços tecnológicos criam novas formas de exploração

 

Desde o começo de 2014 quando chegou ao Brasil – inicialmente no Rio de Janeiro e posteriormente a diversas cidades –, o aplicativo de celular que conecta o indivíduo ao motorista particular chamado Uber contaminou o debate ora em curso no mundo a respeito do capitalismo digital. Isto é, a profusão de novas formas de acumulação de capital assentadas nas tecnologias digitais acompanhada dos discursos legitimadores e apoiadores desta esfera de expansão econômica.

 

Na sequência, o trabalho submetido às tecnologias digitais de informação e comunicação ganha corpo cada vez mais visível, colocando em xeque as formas conhecidas de regulação e proteção dos que dependem do trabalho para viver. No caso do Uber, cujo aplicativo para celular foi lançado em 2010 na cidade estadunidense de São Francisco por empresa fundada um ano antes e que seis anos depois apresentou valor de mercado de US$ 51 bilhões e ainda, apoio de gigantes como Microsoft, Google e Goldman Sachs, o trabalho organizado diretamente atingido é o do taxista tradicional.

 

Isso porque o Uber organiza cadastro livre de motoristas colaboradores que devem seguir as regras de segurança estabelecidas e oferecer transporte a passageiros interessados sem cobrar diretamente, pois recebe pela carona remunerada diretamente da empresa. Por não ser identificado como função subordinada, o trabalho encontra-se remunerado somente quando exercido, livre de encargos e proteção social e trabalhista, mesmo que o motorista deva estar disponível a todo o tempo para receber chamadas.

 

Neste mesmo sentido, têm expressão os "contratos de trabalho de zero horas" voltados ao emprego do trabalho disponível a partir de cadastramento livre de mão de obra excedente, sem nenhum benefício de proteção social e trabalhista. Somente no Reino Unido estima-se que atualmente cerca de 1 milhão de trabalhadores estejam submetidas a essas condições, sobretudo nas redes de alimentação como Sports Direct, Boots, Mc Donald’s, Subway, entre outras.

 

Outra novidade em expansão tem sido a forma de gerenciamento de contratos entre profissionais e empresas pela empresa Amazon Jobs. A partir da inscrição em cadastro digital e pagamento de taxa de anúncio, a oferta de trabalho é exposta para as empresas cadastradas no mundo.

 

Este avanço considerável na liberalização ampla do mercado de trabalho pelo capitalismo digital gera mão de obra ultra flexível, cada vez mais exposta à ocupação precária e desprotegida. Segundo registros do instituto inglês especializado em recursos humanos, Chartered Institute of Personnel and Development, a jornada de trabalho nestas novas formas de acumulação de capital assentadas nas tecnologias digitais chega a 70 horas semanais, com o trabalhador devendo estar disponível 24 horas por dia.

 

Estudiosos e sindicatos têm alertado para a formação de uma nova classe precária de trabalhadores mal pagos e levados a estar à disposição plena dos demandantes de trabalho flexível. Esta situação, contudo, não representa uma novidade, salvo a combinação do novo com o velho.

 

No século 19, a presença do trabalho flexível era a norma. Essa forma de organização do trabalho, existente desde a Idade Média, vigorou em plena expansão da revolução industrial a partir do século 18, quando o empresário oferecia as ferramentas necessárias para a produção de bens a trabalhadores disponíveis.

 

Mediante a encomenda de mercadorias pelo empresário, o trabalho era realizado em locais distintos, por meio de grande competição entre a mão de obra disponível e sem qualquer proteção ou organização sindical. Será que nos dias de hoje, poder-se-ia dizer que o trabalho encontra-se diante da reinvenção do século 19?

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