O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou hoje (28) ajustes nas regras para uso e divulgação de assuntos médicos em entrevistas, anúncios publicitários e redes sociais. As mudanças abordam também a distribuição de selfies e o anúncio de técnicas não consideradas válidas cientificamente.

 

A resolução deve ser publicada ainda esta semana no Diário Oficial da União e, de acordo com o próprio CFM, tem como objetivo principal fixar parâmetros para evitar o apelo ao sensacionalismo e à autopromoção entre profissionais da área.

 

As normas proíbem médicos de participar de anúncios de empresas comerciais e de seus produtos, qualquer que seja a natureza. Antes, a limitação contemplava apenas medicamentos, equipamentos e serviços de saúde. Com o ajuste, ela se estende a produtos como gêneros alimentícios e artigos de higiene e limpeza.

 

O texto também veda aos profissionais fazer propaganda de métodos e técnicas como a carboxiterapia (tratamento estético realizado através da infusão de gás carbônico em diferentes camadas da pele) e a ozonioterapia (técnica terapêutica que consiste na aplicação de ozônio medicinal no corpo do paciente para tratar inúmeras enfermidades), que, segundo o CFM, ainda não têm reconhecimento científico.

 

A resolução traz ainda um detalhamento sobre o uso de selfies em situações de trabalho e de atendimento a pacientes. Com a mudança, os médicos ficam proibidos de divulgar esse tipo de fotografia, bem como imagens e áudios que caracterizem sensacionalismo, autopromoção ou concorrência desleal.

 

No caso específico do uso de redes e mídias sociais – incluindo sites, blogs e canais no Facebook, Twitter, Instagram, Youtube, Whatsapp e similares –, continua sendo vedado ao médico divulgar endereço e telefone de consultório, clínica ou serviço. O profissional também não pode anunciar especialidade/área de atuação não reconhecida ou para a qual não esteja qualificado e registrado.

 

O CFM orientou conselhos regionais a investigarem suspeitas de descumprimento da orientação sobre autopromoção de médicos com colaboração de outras pessoas ou empresas. “Deve ser apurada – por meio de denúncias ou não – a publicação de imagens do tipo antes e depois por não médicos, de modo reiterado e/ou sistemático, assim como a oferta de elogios a técnicas e aos resultados de procedimentos feitos por pacientes ou leigos, associando-os à ação de um profissional da medicina”.

 

A comprovação de vínculo entre o autor das mensagens e o médico responsável pelo procedimento, segundo a entidade, pode ser entendida como desrespeito à norma federal. Os médicos também ficam proibidos de divulgar a posse de títulos científicos que não podem comprovar e de induzir o paciente a acreditar que está habilitado num determinado campo de atendimento ao informar que trata sistemas orgânicos, órgãos ou doenças específicas.

 

“Da mesma forma, ele não pode consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação de massa ou a distância, assim como expor a figura de paciente na divulgação de técnica, método ou resultado de tratamento”, ressaltou o conselho.

 

Fonte: Agência Brasil - repórter Paula Laboissière

A terceira reunião de Negociação Coletiva entre Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig) e Sindicato dos Laboratórios de Análises Clínicas, Patologia, Pesquisas e Análises Clínicas de Minas Gerais (SindLab) está marcada para o dia 1º de outubro, quinta-feira, entre 8h e 9h30.

 
Colega farmacêutico,  anote aí:


3ª Reunião de Negociação Coletiva de Análises Clínicas

 

Data: 1º de outubro, quinta-feira. Horário: entre 08 e 9h30
Local: a ser definido 
 

Agende-se  para participar com o Sinfarmig! 

Um projeto-piloto de assistência farmacêutica tem melhorado a qualidade de vida dos moradores de Curitiba (PR) que utilizam os serviços das unidades básicas de saúde e que tomam mais de que cinco medicamentos ao dia. Acostumados a frequentarem apenas as consultas com médicos, os pacientes polimedicados foram convidados a se consultarem também com farmacêuticos, o que representa uma mudança significativa na rotina dos usuários do SUS e no processo de trabalho da equipe de saúde do município.

 

Nas consultas individuais, que duram em média uma hora, os farmacêuticos conversam com os pacientes e identificam problemas relacionados à prescrição, manipulação, intoxicação e qualidade dos medicamentos. Orientam sobre o uso correto e avaliam a necessidade real desses medicamentos para a pessoa.

 

Este conceito de clínica farmacêutica deverá ser ampliado para outros municípios brasileiros. O projeto de Cuidado Farmacêutico na Atenção Básica faz parte do Programa Nacional de Qualificação da Assistência Farmacêutica do Governo Federal, o QualifarSUS. A experiência foi financiada por meio do projeto Qualisus Rede – um termo de cooperação entre o Banco Mundial e o Mistério da Saúde que pretende apoiar a organização de redes de atenção à saúde no Brasil.

 

Usuários com doenças crônicas, por exemplo, que precisam fazer uso prolongado e constante de medicamento, apresentam muitos problemas relacionados à adesão ao tratamento. Estudos demonstram que entre 40 e 60% das pessoas em tratamento não fazem uso dos medicamentos prescritos para determinada doença. Um serviço de distribuição e monitoramento adequado evita o abandono do tratamento.

 

Para auxiliar na administração e controle do uso de medicamento existe a assistência farmacêutica. Noêmia Tavares, coordenadora da Assistência Farmacêutica Básica do Ministério da Saúde, ressalta a importância deste atendimento. “O profissional farmacêutico faz parte da equipe de saúde no Sistema Único Saúde (SUS). Ele é fundamental na promoção do uso racional de medicamentos. Hoje, os usuários do SUS têm acesso a um conjunto de medicamentos na rede de atendimento e o farmacêutico é o profissional que tem o papel de orientação quanto ao uso correto”, disse.

 

Além dos componentes da assistência farmacêutica, o SUS também disponibiliza o Programa Farmácia Popular do Brasil, que ampliou o acesso de 112 medicamentos, com custos acessíveis, à população. O programa possui uma rede própria de farmácias populares e uma parceria com as farmácias e drogarias da rede privada, chamada “Aqui Tem Farmácia Popular”, onde são disponibilizados medicamentos e insumos na forma gratuita ou com preços reduzidos em relação ao mercado.

 

Para ter acesso aos produtos, o cidadão deve se dirigir a uma das farmácias e drogarias conveniadas ao programa e apresentar documento oficial com foto (no qual conste o seu número de CPF); a prescrição médica, no caso de medicamentos, laudo ou atestado médico com validade de 120 dias.



Fonte: Blog da Saúde / Ministério da Saúde

A procuradora da República e presidenta da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da Secretaria de Direitos Humanos, Eugênia Gonzaga, defendeu hoje (25) que o Supremo Tribunal Federal (STF) faça a revisão da Lei de Anistia, para que agentes do Estado sejam responsabilizados pelos crimes e violações de direitos humanos cometidos durante a ditadura militar. “Nenhuma das ações de responsabilização foi para frente por causa da interpretação que ainda existe no país sobre a validade da lei para agentes da ditadura, isso a despeito da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O Brasil vem insistindo em descumprir essa decisão da corte”, disse ela.

 

Em 2010, o STF julgou que a Lei de Anistia era aplicada a agentes públicos. No mesmo ano, explicou Eugênia, a corte internacional decidiu que a lei era válida, mas não para as graves violações de direitos humanos ocorridas no Brasil durante a ditadura militar. Ela afirmou que a questão está em andamento e que já existem pedidos pendentes no Supremo para uma nova análise.

 

Para o professor Paulo Abrão, presidente da Comissão de Anistia e secretário-executivo do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos (IPPDH), do Mercosul, é necessário fazer um ajuste nessas duas perspectivas. “A nossa expectativa é que, após o relatório da Comissão da Verdade e a sentença da Corte Interamericana, essa decisão possa vir no sentido de afirmar a ideia que os crimes contra a humanidade são imprescritíveis e não devem estar sujeitos à anistia”, disse.

 

Eles participaram hoje, junto com representantes de mais de 50 organizações da Argentina, Venezuela, do Brasil, Paraguai e Uruguai, da 2ª Consulta Pública do Fórum de Participação Social do instituto. O evento começou com um seminário sobre os 40 anos da Operação Condor, que foi uma aliança de colaboração entre os regimes ditatoriais da América do Sul nas décadas de 1970 e 1980.

 

Segundo Eugênia Gonzaga, países que passam regimes autoritários têm resquícios que precisam ser combatidos, daí a importância desse resgate histórico. “Esses resquícios são, no caso Brasil, por exemplo, a ausência total de meio de defesa [na mídia], a tortura ainda presente nas polícias e o desaparecimento de pessoas, assim como ocorria no período da ditadura”, destacou. “Então precisamos resgatar esse ocorrido para evitar que ele se perpetue, porque ainda é o que acontece em países como o Brasil, que não fizeram a devida responsabilização dos agentes de Estado do período e o devido resgate dessa história”, acrescentou.

 

A integração entre os países do Cone Sul nesse fórum é, para o professor Paulo Abrão, uma forma de fortalecer as instituições de direitos humanos para que os legados autoritários, que ainda permanecem sejam superados. “As democracias não são um fim em si mesmo, elas dependem de um constante cuidado. É sempre necessário lembrar o que significa regimes de exceção, o que significa ditadura, o que isso implica em termos de prejuízo e atraso nas nossas sociedades para que a não repetição desses erros”, disse o presidente da Comissão de Anistia.

 

Ele explica ainda que, desse encontro, sairão sugestões aos governo para implementação de políticas de memória, de verdade e justiça, como processos de preservação de arquivos, identificação de centros e locais de tortura para que eles sejam transformados em museus de consciência e ampliação de políticas de reparação psicológica e apoio às vítimas.

 

O acompanhamento de ações judiciais em tramitação como os juízos da Operação Condor na Argentina e em Roma também é importante, de acordo com Paulo Abrão. Segundo ele, a sentença da Operação Condor deverá ser declarada até final desse ano. “Isso certamente abrirá novas perspectivas e conhecimentos para a sociedade, de novas provas e documentos que permitirão novos ciclos de identificação de responsabilidade, de consequência e de vítimas”, disse.

 

O encontro de hoje foi uma parceria da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça com o IPPDH, a Unidade de Apoio a Participação Social do Mercosul, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e o Programa das Nações Unidades para o Desenvolvimento.

 

Fonte: Agência Brasil – repórter Andreia Verdélio

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