Rede Brasil Atual – 06/10/2015

 

Órgão ligado ao Ministério da Saúde e outras entidades científicas seguem recomendação da OMS pelo banimento; a fibra é causadora de câncer e diversas outras doenças graves

 

OMS classifica o amianto como um ‘inimigo silencioso’; estudos mostram que o mineral provoca câncer

 

São Paulo – A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), vinculada à Fiocruz, manifestou-se contrária à criação de uma comissão especial para debater o uso do amianto no Brasil, por meio da Portaria 1.287 do Ministério do Trabalho e Emprego. Para a instituição ligada ao Ministério da Saúde, a portaria pretende propor medidas de controle, entre outras, para o uso do mineral comprovadamente cancerígeno.

 

Em nota, assinada pelo diretor da ENSP/Fiocruz, Hermano Castro, a instituição se posiciona em total desacordo com tal portaria. Para o médico, não cabe normatizar o uso seguro do amianto quando sua produção e uso estão sendo banidos em vários países que seguem diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto aos seus efeitos nocivos à saúde das populações.

 

De acordo com Castro, a própria Fiocruz tem demonstrado, em inúmeros fóruns, os malefícios do amianto e o impacto sobre a morbimortalidade das populações expostas ocupacional e ambientalmente.

 

Nos últimos 30 anos, os resultados dos estudos sobre o uso do mineral não deixam dúvidas de que todas as formas de amianto, inclusive o crisotila, provocam câncer. “Os danos causados pelo amianto não se restringem aos trabalhadores, mas comprometem a saúde de toda a população exposta. Deixa de ser mais um problema ocupacional estrito e se torna um grave problema de saúde pública. O amianto ultrapassa os muros das fábricas, onde deixa uma legião de trabalhadores adoecidos e ganha a sociedade ao ter sua utilização permitida em diversos produtos de consumo cotidiano, por exemplo, as telhas de cobertura.”

 

A OMS classifica o amianto como um ‘inimigo silencioso’. Em publicação do organismo internacional, em que é atestada a nocividade da fibra, está estabelecido que não há limite seguro para a exposição ao mineral e há recomendações para sua substituição como a melhor forma de prevenir câncer, asbestose pulmonar, espessamento pleural difuso, placas pleurais, câncer de pulmão e mesotelioma, não havendo nenhuma forma de se trabalhar com o amianto sem que haja risco à saúde.

 

A Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (Iarc), vinculada à ONU, classifica o amianto e todos os seus tipos como cancerígeno para humanos desde 1987. Isso porque existem evidências suficientes em humanos e também em testes com animais. Em 2012, pesquisadores confirmaram os perigos depois de analisar 55 estudos epidemiológicos.

 

Estão comprovados cientificamente os danos a respeito da fibra mineral causadora de doenças como os casos de adoecimento e morte por amianto no Brasil são decorrentes da falta de uma lei que retire a fibra cancerígena dos processos produtivos e do consumo, e não de portarias que busquem normatizar seu uso, além de, quando ‘necessário’, equipamentos de proteção.

 

“Protelar a lei do banimento do amianto coloca o Brasil entre os países que não enfrentam o problema da epidemia do câncer, hoje realidade na Europa, e estabelece o pico da nossa mortalidade para os próximos 20 anos, dado o longo período de latência para o câncer de pleura, denominado mesotelioma”, diz Hermano Castro.

 

Outras entidades científicas, como a Sociedade Brasileira de Pnemumologia e Tisiologia e a Associação Nacional de Medicina do Trabalho, para as quais a portaria "é absurda", também repudiaram a portaria pelo “flagrante retrocesso ao conhecimento técnico sobre o tema” e por “perpetuar de forma absolutamente falaciosa um debate ultrapassado, visando a unicamente atender a interesses econômicos restritos, em detrimento das normas mais básicas de prevenção em saúde e de equidade social no país, uma vez que os malefícios irão certamente ter seus reflexos concentrados nas populações mais desfavorecidas”.

O novo ministro da Saúde, Marcelo Castro, defendeu hoje (6) uma fonte permanente de financiamento para o setor. “Todos devemos nos comprometer, em um pacto social, de que é preciso ter fontes permanentes de financiamento da saúde para garantir a melhoria de seus serviços”, disse ele, sem se referir especificamente à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que o governo estuda recriar para elevar a arrecadação.

Em seu discurso durante cerimônia de transmissão de cargo, Castro destacou que estados e municípios atualmente gastam mais com saúde do que o limite mínimo (15%) previsto em lei e citou como exemplo o município de Teresina (PI). Lá, segundo ele, a prefeitura aplica cerca de 35% de suas receitas em saúde, situação classificada pelo novo ministro como insustentável e injusta.

“É preciso despertar na sociedade o sentimento de pertencimento ao SUS [Sistema Único de Saúde]”, disse. “Minha proposta será de criar novas fontes para o financiamento da saúde”, completou. Castro acrescentou ainda que pretende garantir a estados e municípios brasileiros metade do que for arrecadado pela União com a nova fonte de financiamento.

Na semana passada, o novo ministro propôs uma contribuição permanente para sua área, cobrada duas vezes: tanto de quem faz pagamento quanto de quem recebe a quantia, sem aumento da alíquota.

Fonte: Agência Brasil – repórter Paula Laboissière

O ex-ministro da Saúde, Arthur Chioro, pediu hoje (6) a continuidade das ações propostas pela pasta e defendeu o que chamou de financiamento sustentável do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Durante cerimônia de transmissão de cargo, ele avaliou que a sociedade brasileira precisa discutir qual saúde deseja para o país, além de admitir que os recursos financeiros na área são finitos. “O desafio está posto”, disse.

 

Chioro chegou a interromper sua fala para entregar ao novo ministro da Saúde, Marcelo Castro, uma cópia da proposta do Programa Mais Especialidades, ainda sem data para ser lançado.

 

Ao final do discurso, o ex-ministro disse ter assumido o cargo no intuito de servir à imensa parcela da população que depende do SUS e se referiu aos 20 meses que esteve à frente da pasta como intensos.

 

“Estou certo de que cumprimos nosso dever de maneira ética”, disse. “Ministro fiquei, sanitarista sou e assim seguirei”, concluiu.

 

Fonte: Agência Brasil – repórter Paula Laboissière

O ministro Miguel Rossetto assumiu hoje (7) o Ministério do Trabalho e Previdência Social afirmando que quer manter o diálogo com trabalhadores, empresários e o Congresso Nacional, para geração de emprego decente, renda e garantia de um sistema de financiamento adequado para a Previdência Social.

 

Rossetto disse que está confiante na aprovação, pelo Congresso, da nova Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Com a medida, o governo pretende arrecadar R$ 32 bilhões em 2016. Os recursos serão utilizados para cobrir o déficit da Previdência Social.

 

“No curto prazo, por conta da redução da receita, necessitamos da CPMF, de modo a melhorar nossa capacidade fiscal. No longo prazo, há uma situação estrutural que exige mudança, reformas e aperfeiçoamento. A sociedade brasileira vive mais e tem reduzido sua taxa de natalidade. Então, teremos, no curto prazo, uma relação alterada entre a população na ativa e o número de idosos. Temos de tomar iniciativas para preparamos a sustentabilidade no médio prazo.”

 

Rossetto acrescentou que, além da CPMF, o governo trabalha em um conjunto de medidas que devem ser apresentadas ainda em outubro no Fórum de Debates sobre Políticas de Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social. O fórum foi criado no início de setembro pelo governo federal para discutir propostas que tragam melhorias para as políticas de emprego, trabalho, renda e previdência

 

“Vamos manter o diálogo de forma permanente com a sociedade brasileira. Diálogo para entender um país rico e diverso como o nosso, que é condição fundamental para acertar a estratégia de crescimento econômico com inclusão social.” Rossetto afirmou que o Programa de Proteção ao Emprego já é exemplo desse diálogo e vontade política.

 

A nova pasta foi criada com a fusão dos ministérios do Trabalho e Emprego e Previdência Social. Ele será composto por duas secretarias especiais: a de Trabalho, que será comandada por José Lopez Feijóo, e de Previdência Social, pelo ex-ministro da Previdência Social, Carlos Gabas.

 

Perfil

 

Miguel Rossetto é natural de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Formado em Ciências Sociais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), foi vice-governador do estado, na gestão Olívio Dutra, e deputado federal pelo PT em 1994.

 

Em 2003, foi nomeado para o cargo de ministro do Desenvolvimento Agrário. Em 2006, Rossetto deixou o governo para tentar uma vaga no Senado, mas não foi eleito. Dois anos depois, assumiu a presidência da Petrobras Biocombustível, subsidiária da Petrobras.

 

Em março de 2014, foi nomeado novamente ministro do Desenvolvimento Agrário e deixou o cargo em setembro do mesmo ano para trabalhar na coordenação da campanha para a reeleição de Dilma. No segundo governo da presidenta Dilma Rousseff, assumiu a Secretaria-Geral da Presidência da República.

 

Fonte: Agência Brasil – repórter Andreia Verdélio

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