Dados de remédio anticâncer criado na USP ainda não estão maduros

 

Por  Reinaldo José Lopes – Colaboração para a Folha de S. Paulo, em 22/10



A fosfoetanolamina, molécula estudada por pesquisadores da USP que tem sido vista como uma espécie de tábua de salvação por pacientes com câncer, de fato mostrou potencial em testes preliminares de laboratório, mas ainda é cedo para achar que ela está pronta para ser testada em humanos.



A avaliação é do farmacêutico Adilson Kleber Ferreira, coautor de seis pesquisas com a substância publicadas em revistas científicas internacionais entre 2011 e 2013.



Os estudos foram feitos em parceria com Gilberto Chierice, hoje professor aposentado do IQSC (Instituto de Química de São Carlos, da USP), que foi o primeiro a avaliar as propriedades da molécula e passou anos a distribuí-la informalmente para pessoas com câncer.



Todas as pesquisas assinadas por Ferreira envolveram apenas testes in vitro, com linhagens de células, ou animais de laboratório (como camundongos) com diferentes tipos de câncer, como tumores de mama e melanomas. Em nenhum momento foram feitas avaliações em pessoas.



Na opinião de Ferreira, que hoje faz pós-doutorado no Instituto de Ciências Biomédicas da USP da capital, seria importante saber mais detalhes sobre como a "fosfo" (como é conhecida) é absorvida pelo organismo, por exemplo, antes de partir para os testes em seres humanos.



Mas ele afirma que os resultados preliminares indicam que o trabalho deve continuar. A Folha apurou que as pesquisas foram suspensas na USP de São Carlos. Leia a entrevista abaixo.



Remédio anticâncer



Folha - Como o sr. resumiria os resultados dos seus trabalhos com a fosfoetanolamina?
Adilson Kleber Ferreira - À primeira vista, nos estudos in vitro, ela não parecia uma molécula tão promissora para possíveis tratamentos contra o câncer, já que a dose necessária para obter um efeito significativo contra células de tumores era superior à de medicamentos que já estão disponíveis no mercado há bastante tempo.


Por outro lado, quando nós passamos para testes in vivo [em animais de laboratório, como camundongos], a situação se inverteu —o desempenho da molécula foi superior ao de alguns remédios convencionais.


É possível dizer que ela estimula a apoptose [nome dado ao "suicídio programado" das células] nos modelos experimentais de tumores, por exemplo. De maneira geral, é uma molécula com bom potencial, mas que ainda precisa ser mais estudada.


O químico Gilberto Chierice afirmou algumas vezes que não é fácil combinar a fosfoetanolamina com a quimioterapia convencional, já que o tratamento corrente hoje debilita bastante o sistema de defesa do organismo, enquanto a molécula estudada por ele dependeria da robustez desse sistema para funcionar. Os dados mostram mesmo isso?


Na minha opinião, isso por enquanto é apenas uma hipótese, que ainda precisa ser comprovada.


Pacientes terminais de câncer, por exemplo, já vão estar com seu sistema imunológico comprometido de qualquer maneira.


Nós também temos dados, ainda não publicados, do uso da "fosfo" em camundongos com sistema imune suprimido, e os resultados foram bons também. Então, é algo que precisa ser avaliado com mais calma.


Muita gente se pergunta por que, depois de tantos anos de pesquisa, ainda não foi possível organizar um teste clínico formal da molécula em pacientes humanos. Quais os motivos para essa dificuldade, na sua opinião?


Em primeiro lugar, organizar testes clínicos não é mesmo algo trivial.


Nenhum grupo de pesquisa vai conseguir fazer isso com sucesso sem formar uma rede grande de parcerias e sem ter muito cuidado com todas as etapas do processo, que é complicado e custoso.


Além disso, minha opinião pessoal é que os dados pré-clínicos [ou seja, dos testes in vitro e com animais] ainda não estão maduros o suficiente para ir adiante com os testes clínicos.


A gente tem alguma ideia sobre os níveis de toxicidade da "fosfo", por exemplo, mas seria conveniente estudar isso com mais calma. Também é importante realizar estudos farmacocinéticos [ou seja, que acompanham como determinada droga é absorvida e, mais tarde, eliminada pelo organismo do doente].


Chierice também já argumentou que os relatos positivos dos pacientes que tomaram a droga informalmente são indício suficiente de que ela pode funcionar em humanos.


Não é possível afirmar isso só com os relatos, sem um acompanhamento clínico detalhado dos pacientes, por exemplo.


Como o sr. vê a decisão de distribuir a molécula mesmo sem dados mais sólidos?


Eu nunca concordei com essa prática e sempre deixei isso claro para os meus colegas. Por outro lado, não concordo de modo algum quando as pessoas retratam o professor Gilberto como um criminoso. É muito fácil julgar sem conhecer a pessoa.

O desemprego em setembro de 2015 foi estimado em 7,6% em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro de 2014, a taxa era 4,9%. A taxa de desocupação em setembro, no entanto, ficou estável em relação a agosto deste ano.

 

Mesmo tendo permanecido estável em 7,6%, a taxa de desocupação das seis principais regiões metropolitanas do país é a maior para os meses de setembro desde setembro de 2009, quando atingiu 7,7%.

 

O contingente de desocupados, em setembro de 2015, foi estimado em 1,9 milhão de pessoas nas seis regiões investigadas: houve crescimento de 56,6% em relação a setembro de 2014. Isso significa que há mais 670 mil pessoas em busca de trabalho.

 

A população ocupada foi estimada em 22,7 milhões, refletindo estabilidade na análise mensal (em comparação a agosto) e retração de 1,8% (menos 420 mil pessoas) na comparação com setembro de 2014. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,3 milhões) não variou na comparação mensal e, frente a setembro do ano passado, caiu 3,5% (menos 409 mil pessoas).

 

O rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.179,80: ficou 0,8% menor que o verificado em agosto (R$ 2.196,54) e 4,3% abaixo do apurado em setembro de 2014 (R$ 2.278,58). A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados foi estimada em 50,1 bilhões em setembro de 2015. Está 0,6% menor que a estimada em agosto. Na comparação anual esta estimativa recuou 6,1%.

 

A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 50,3 bilhões), estimada em agosto de 2015, caiu 0,5% frente a julho e recuou 6,3% na comparação com agosto de 2014.

 

Regionalmente, os números divulgados pelo IBGE indicam que a taxa de desocupação, entre agosto e setembro, apresentou variação estatisticamente significativa no Rio de Janeiro, onde a taxa de desocupação passou de 5,1% para 6,3%. Emm São Paulo, a taxa registrou movimento oposto: caiu de 8,1% para 7,3%. Nas demais regiões, a taxa ficou estável.

 

Fonte: Agência Brasil – repórter Nielmar de Oliveira

A Anvisa e o Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde (Cetab), da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz) iniciaram o processo de seleção de 514 vagas para o curso Comunidade de Práticas sobre Controle do Tabaco para Fiscais do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

 

A capacitação, oferecida na modalidade de educação a distância, é destinada exclusivamente aos profissionais de nível médio e superior vinculados ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), nas esferas estadual, municipal e distrital.

 

Para se candidatar, o agente deve atender aos requisitos constantes do Edital, que está disponível no portal eletrônico da ENSP: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/cetab/.

 

Os estudantes serão capacitados para o cumprimento da legislação pertinente ao controle do tabaco e os instrumentos para realizar as ações de fiscalização. Por meio de,

 

Os temas serão abordados por meio de materiais didáticos e atividades online, distribuídos em cinco módulos: epidemia do tabaco no Brasil e no mundo e as ações para seu controle; organização da rotina dos fiscais para realizar as ações de controle do tabaco; monitoramento e fiscalização dos produtos derivados do tabaco; proibição da propaganda, promoção e patrocínio; e ambientes livres de tabaco (proibição do uso em recintos coletivos fechados).

 

O curso tem carga horária total de 90 horas, no período de 8 de dezembro de 2015 a 6 de maio de 2016, por meio da plataforma virtual disponibilizada aos participantes. Será emitida declaração de conclusão pelo Cetab/ENSP/Fiocruz àqueles que finalizarem as atividades propostas.

 

O preenchimento das vagas obedecerá a ordem de inscrição, considerando a data e hora do envio dos documentos exigidos para o e-mail indicado no Edital.

 

Confira o cronograma:

ETAPAS /DATAS
Período de inscrição
26/10 a 20/11/2015
Resultado Preliminar
25/11/2015
Recursos
26 e 27/11/2015
Resultado final
30/11/2015
Matrícula
1 e 4/12/2015
Divulgação da Relação de Candidatos Reclassificados
3/12/2015
Matrícula dos Reclassificados
4/12/2015
Início das atividades da Comunidade de Práticas
8/12/2015
Término das atividades da Comunidade de Práticas
06/05/2016
 
Fonte: Imprensa Anvisa

Sob o pretexto de que não há farmacêuticos disponíveis para trabalhar em todas as unidades de saúde do município, nem dinheiro para contratação de profissionais, a prefeitura de Betim decidiu fechar nove das 28 farmácias até o momento.

 

 

 

A decisão da prefeitura foi aprovada pelo Conselho Municipal de Saúde de Betim no dia 16 de setembro. Conforme a Resolução 16/2015 do Conselho, que homologa o Projeto de Reorganização da Assistência Farmacêutica na cidade, cada farmácia deverá atender a 45 mil habitantes, cerca de 15 PSF.

 

Para o diretor do Sindicato dos Farmacêuticos do Estado de Minas Gerais (Sinfarmig), Sebastião Fortunato, que também é servidor da Secretaria Municipal de Saúde de Betim há mais de vinte anos, a medida tomada pela gestão será um retrocesso para a Assistência Farmacêutica no município porque ela  reduzirá o acesso da população ao medicamento, ao profissional farmacêutico e a informação. Sebastião afirma também que o modelo de Assistência deve ser discutido para que o cidadão tenha mais acesso e qualidade de vida.

 

Também farmacêutica da rede municipal de saúde de Betim e diretora do Sinfarmig, Juliana Sousa Coelho alerta para a precariedade da decisão da prefeitura. “Há critérios que não foram avaliados como o fluxo de deslocamento dos usuários e a distância que eles terão que percorrer para conseguirem acesso aos medicamentos”, diz. A farmacêutica se mostra surpresa com a rapidez para implementar a medida que, tendo sido aprovada no dia 16 de setembro pelo CMS, entrou em vigor 14 dias depois, no dia 30 de setembro.    

 

Conforme a diretora regional de Betim do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Minas Gerais (Sind-Saúde/MG), Conceição Pimenta, restam 19 farmácias funcionando nas unidades de saúde municipais já que nove foram fechadas. Para ela, a decisão do Conselho Municipal de Saúde de aprovar a medida sem discussão prévia e contra o interesse dos usuários mostra como a entidade é comprada pelo executivo municipal.

 

De acordo com a sindicalista, a prefeitura tem se mostrado intransigente com a medida e insensível com a dificuldade de acesso que o fechamento das farmácias traz para a população.

 

“Apenas no caso da farmácia do bairro Cachoeira conseguimos convencer a prefeitura a não remanejar a mesma para o bairro Angola por causa da dificuldade da população para chegar lá. Então, a prefeitura levou a farmácia para a região central da cidade, para a unidade Alcides Braz, mas a informação que temos é que o local não consegue acomodar muitas pessoas e não dispõe nem de ar condicionado”.

 

A documentação das transferências das farmácias e de profissionais tem sido pedida à prefeitura de Betim pelo Sind-Saúde sem resposta. “Tudo transcorre com muita informalidade, só verbalmente”, conta Conceição.        

 

Ainda este mês, em ação conjunta com o Sind-Saúde, o Sinfarmig participará de Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, proposta pelo deputado Jean Freire para discutir a situação da saúde de Betim. O fechamento das farmácias das unidades de saúde será denunciado, assim como o prejuízo que a medida da prefeitura está trazendo para a população. O secretário municipal de saúde de Betim foi convidado e deverá estar presente na Audiência.

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