Representantes de povos indígenas que vieram esta semana para Brasília, a convite do Ministério do Meio Ambiente, para uma oficina nacional sobre a nova Lei da Biodiversidade se recusaram a participar da audiência pública hoje (22), no Ibama, sobre a regulamentação da lei. A legislação define regras para o acesso a recursos da biodiversidade nacional por pesquisadores e pela indústria. Trata também do direito dos povos tradicionais à repartição dos lucros pelo uso dos conhecimentos que têm sobre plantas e animais e cria um fundo para fazer esse pagamento.

 

Eles entregaram uma carta, lida durante a audiência, em que se manifestam contra a lei 13.123, de 2015, e pedem a revogação do texto. Segundo os indígenas, o texto foi feito sem a devida participação dos povos tradicionais do Brasil e não valoriza os conhecimentos dessas populações sobre plantas e animais, além de desrespeitar as crenças e a forma de lidar com a natureza.

 

A índia pankararu Cristiane Julião, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, de Minas Gerais e do Espírito Santo (Apoinme), veio do interior de Pernambuco para participar da oficina e foi até o Ibama, mas não entrou no auditório. “Achamos que seria uma afronta, um desrespeito com nós mesmos, participar e consensuar sobre algo que somos contra. Nos 48 minutos do segundo tempo nos trouxeram apenas para dizer sim. E nós dizemos não.”

 

Cristiane disse que os povos tradicionais não foram consultados durante a elaboração da lei. Segundo ela, foram feitas oficinas regionais, mas dizer o que é a lei, não para construir a legislação. “O que aconteceu na oficina nacional foi uma comunhão dos anseios das populações tradicionais, em que todo mundo 'falou com uma boca só' que essa lei não nos contempla, não nos atende, além de ter burlado a Convenção 169, da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que o Brasil ratificou, e que traz em detalhe como fazer consultas a povos indígenas antes de fazer leis e empreendimentos que tenham impacto sobre nós e nosso conhecimento ancestral”, afirmou.

 

O diretor de Patrimônio Genético da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Rafael Marques, disse que a audiência foi organizada em parceria com os representantes indígenas para garantir que tivessem espaço no debate. “A oficina nacional foi custeada pelo governo federal. Se dependesse deles sozinhos terem que se organizar para encontrar recursos e logística para participar da audiência, não seria viável, a gente sabe que muitos vivem em condições difíceis”.

 

Segundo Rafael Marques, eles participaram da oficina por três dias e no quarto dia, hoje (22), entenderam que era uma “mensagem política importante” declarar que discordam de vários pontos da legislação. “Eles entendem que a maneira como a lei foi construída no Congresso não atendeu aos principais pleitos deles, então foi uma forma de protesto”.


Consulta pública

 

O Ministério do Meio Ambiente divulgou nessa quarta-feira (21) a primeira sugestão da Casa Civil para a regulamentação de alguns pontos da Lei da Biodiversidade. A proposta do governo é um ponto de partida para a discussão e foi feita a partir das contribuições de diversos setores da sociedade que chegaram por meio da consulta pública que está aberta desde o dia 12 de junho no site do ministério. “A Casa Civil definiu uma minuta de texto básica para ajudar a orientar a discussão para que as pessoas tivessem uma ideia melhor do que seria uma modelo de regulamentação e como poderia funcionar”, afirmou Rafael Marques.


Ele disse ainda que o ministério sistematizou as contribuições recebidas e assim puderam ter uma ideia de qual eram os pontos mais polêmicos, ou que despertavam maior interesse. “O governo federal está em busca de um “mínimo múltiplo comum para criar uma legislação que atenda de maneira mais democrática os diversos setores”.

Foram listados os pontos principais que precisam ser regulamentados, como a composição do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético, o funcionamento dos cadastros e autorizações para acesso ao conhecimento tradicional associado. A proposta da Casa Civil está disponível na internet com espaço para críticas e sugestões. Qualquer pessoa ou organização pode enviar contribuições até o dia 30 de outubro na página do Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com Rafael Marques, a composição do conselho, autoridade máxima da legislação de acesso ao patrimônio genético e a conhecimentos tradicionais e repasse de benefícios, é o ponto mais polêmico. “Há diversas posições. Há o medo de o Conselho se tornar muito técnico e pouco representativo politicamente, ou muito político e com pouca tecnicidade, também há preocupações de que seja muito grande, o que inviabilizaria a tomada de decisões, entre outras manifestações”. Segundo ele, a participação dos povos tradicionais no conselho está garantida. “A lei determina que eles participem com direito a voto e voz”, afirmou.

Fonte: Agência Brasil – repórter Maiana Diniz

Decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) trouxe à tona uma discussão envolvendo médicos, advogados e pacientes sobre o uso da fosfoetanolamina sintética para o tratamento do câncer. O presidente do TJSP, desembargador José Renato Nalini, liberou, no último dia 9, a entrega da substância produzida no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da Universidade de São Paulo (USP), para os pacientes que solicitaram judicialmente acesso à droga. A substância não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

A fosfoetanolamina sintética foi estudada pelo professor Gilberto Orivaldo Chierice, hoje aposentado, enquanto ele ainda era ligado ao Grupo de Química Analítica e Tecnologia de Polímeros da USP. Algumas pessoas tiveram acesso às cápsulas contendo a substância, produzidas pelo professor, que usaram como medicamento contra o câncer. O instituto disse, em nota, que a produção da droga foi um “ato oriundo de decisão pessoal” de Chierice.

 

Em junho de 2014, a USP reforçou a proibição de produção de qualquer tipo de substância que não tenha registro, caso das fosfoetanolamina sintética. O instituto editou portaria determinando que “tais tipos de substâncias só poderão ser produzidas e distribuídas pelos pesquisadores do IQSC mediante a prévia apresentação das devidas licenças e dos registros expedidos pelos órgãos competentes determinados na legislação [do Ministério da Saúde e da Anvisa]”. De acordo com a instituição, desde a edição da medida, não foram apresentados registros ou licenças que permitissem a produção das cápsulas para uso como medicamento.

 

Judicialização

 

Desde então, pacientes que tinham conhecimento das pesquisas passaram a recorrer à Justiça para ter acesso à fosfoetanolamina sintética. De acordo com a advogada Cárita Almeida, que representa pacientes interessados na droga, mais de 1,5 mil liminares com o pedido de acesso à substância já foram apresentados à Justiça.

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) já havia impedido que uma paciente tivesse acesso ao produto. Diante do posicionamento do tribunal, ela apresentou um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) que foi analisado pelo ministro Edson Fachin. No dia 8 deste mês, ele suspendeu a determinação do TJSP, liberando o acesso dessa paciente às cápsulas.

 

Após a decisão do ministro do STF, o presidente do TJSP, desembargador José Renato Nalini, estendeu os efeitos da liminar para todas as pessoas que solicitaram o acesso à mesma substância na Justiça. “Conquanto legalidade e saúde sejam ambos princípios igualmente fundamentais, na atual circunstância, o maior risco de perecimento é mesmo o da garantia à saúde. Por essa linha de raciocínio, que deve ter sido também a que conduziu a decisão do STF, é possível a liberação da entrega da substância”, decidiu Nalini.

 

Ele lembrou que “a substância pedida não é medicamento, já que assim não está registrada. Não se trata tampouco de droga regularmente comercializada, mas de um experimento da Universidade de São Paulo”. Ele afirmou que não há possível falha do Estado em não disponibilizar a substância aos pacientes, mas acrescentou que não se pode ignorar os relatos de pacientes que apontaram melhora em seu quadro clínico após uso da droga.

 

Apesar da liberação, o desembargador disse que “caberá à USP e à Fazenda, para garantia da publicidade e regularidade do processo de pesquisa, alertar os interessados da inexistência de registros oficiais de eficácia da substância”.

 

Ontem, em evento na capital paulista, o ministro Fachin disse que a decisão de liberar o acesso à fosfoetalonamina a uma paciente com câncer foi excepcional. “Tratava-se de uma senhora que estava em estado terminal, com alguns dias de vida, e que buscava o fornecimento dessas cápsulas, que já estavam sendo fornecidas como um lenitivo da dor”, disse.

 

A USP informou que os mandados judiciais serão cumpridos, dentro da capacidade da universidade. A instituição alega que não é uma indústria química nem farmacêutica e que “não tem condições de produzir a substância em larga escala, para atender às centenas de liminares judiciais que recebeu nas últimas semanas”. A universidade afirmou ainda que a substância fosfoetanolamina está disponível no mercado, produzida por indústrias químicas, e pode ser adquirida em grandes quantidades pelas autoridades públicas. “Não há, pois, nenhuma justificativa para obrigar a USP a produzi-la sem garantia de qualidade”, completou.

 

De acordo com a Anvisa, nenhum processo de registro foi apresentado para que a fosfoetanolamina possa ser considerada um medicamento. “A etapa é fundamental para que a eficácia e segurança do produto possa ser avaliada com base nos critérios científicos aceitos mundialmente”. Para a obtenção do registro é preciso apresentar documentos e testes clínicos.

 

Especialistas

 

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc), Evanius Wiermann, não há como utilizar a substância nos pacientes sem as devidas análises de segurança e eficácia. “Não é certo sermos coniventes com uma droga que não tem evidência científica”, disse, ao comentar a falta de testes em humanos. Segundo ele, é preciso realizar um trabalho de pesquisa que prove se há benefícios. “Aí estaremos no caminho certo.”

 

O chefe da Oncologia Clínica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Hakaru Tadokoro, também discorda do uso da substância sem que os testes clínicos sejam realizados e considera isso uma irresponsabilidade. “A pessoa que vai tomar essa droga não sabe os efeitos colaterais ou se é tóxica. Eventualmente, a pessoa está tomando a droga que é correta mais essa droga [fosfoetanolamina] e, de repente, isso pode anular o efeito de um medicamento oncológico que é eficaz”, disse. Além disso, o oncologista observou que as pessoas estão tomando a substância para todo tipo de câncer. “Isso não existe. Cada tipo de câncer tem sua peculiaridade”, acrescentou.

 

Pacientes terminais

 

Relatos positivos de usuários nas redes sociais e na imprensa ajudaram a divulgar a droga entre pessoas com câncer.

 

A advogada Mariana Frutuoso Pádua, que representa alguns dos pacientes que pediram acesso à fosfoetanolamina por meio da Justiça, disse que a droga desenvolvida na USP trouxe a possibilidade de um tratamento alternativo e que já existem usuários beneficiados pelo uso das cápsulas. Para ela, o acesso à substância seria uma garantia à vida, à saúde e à dignidade da pessoa humana.

 

Em depoimento na Câmara de Vereadores de São Carlos, a paciente Bernardete Cioffi, que tem um câncer incurável, disse que utiliza a medicação somente para melhorar a qualidade de vida. Por meio de redes sociais, ela declarou estar ciente dos possíveis riscos do uso de uma droga não registrada. “A decisão de fazer uso de uma substância experimental e não testada oficialmente em humanos, e também não registrada na Anvisa, foi uma decisão unicamente minha, sem que qualquer outra pessoa possa ser responsabilizada em maior ou menor grau”.

 

De acordo com Bernardete, a decisão de usar a substância sem registro na Anvisa ocorreu por falta de opção de tratamento e de cura para o seu caso. “Luto pela continuidade das pesquisas de maneira científica, séria e verdadeira, para [que] em cinco ou dez anos todas as pessoas possam fazer uso digno da fosfoetanolamina sintética. Até lá, as pessoas que se dispuserem, assim como eu, a se submeter ao processo experimental, que o façam com sensatez e responsabilidade”, escreveu em uma rede social.

 

Para o oncologista Hakaru Tadokoro, a substância até poderá se tornar um medicamento útil, no entanto, a droga não passou por nenhuma das fases necessárias ao seu uso seguro. “Quando pesquisamos uma droga nova, são quatro fases. Na fase pré-clínica, nós vemos, por meio de cultura de células tumorais, se essa droga tem alguma ação. Na fase 1, testamos em alguns tipos de tumores. Na 2, em pacientes em que não há mais o que se fazer, testamos a droga e vemos a dose que é possível. Na 3, comparamos a droga nova com uma droga padrão. E essa droga não passou por nenhuma dessas fases, infelizmente”, disse o médico.

 

Pesquisa

 

O Hospital Sírio-Libanês manteve contato, em fevereiro de 2009, com os responsáveis pelos estudos da fosfoetalonamina, com a intenção de realizar pesquisas contra o câncer e outras doenças. “No entanto, para poder ser utilizado em estudos com seres humanos, o composto deveria ainda passar por testes pré-clínicos que iam (e ainda vão) muito além das áreas de atuação do hospital. Por essa razão, a instituição decidiu por não prosseguir com as conversas”, informou, em nota, o hospital.

 

A Agência Brasil tentou contato com o professor e químico Gilberto Orivaldo Chierice, responsável pelos estudos da fosfoetanolamina sintética na USP, mas ele não foi encontrado.  O doutor em química Salvador Claro Neto, que já trabalhou na equipe do professor Chierice durante as pesquisas e ainda atua no Instituto de Química de São Carlos, também não retornou o contato da reportagem.

 

A reportagem também procurou ouvir o médico Renato Meneguelo, que pesquisou a substância no combate ao câncer e foi orientado por Chierice, mas não obteve retorno. Por meio de sua página no Facebook, Meneguelo divulgou um vídeo afirmando que dois hospitais se recusaram a participar da pesquisa e a realizar os testes clínicos. As intituições alegaram, segundo ele, falta de condições para bancar os testes. Ele disse ter sido uma sorte conhecer o professor Chierice e poder realizar a pesquisa. Acrescentou que sua ideia era tratar pacientes fora de condição terapêutica, ou seja, aqueles sem chance de cura por meio dos tratamentos tradicionais.

 

Fonte: Agência Brasil / repórter Camila Boehm

Agora, dois serão julgados na próxima terça (27) e dois em novembro

 

Da Rede Brasil Atual

 

Hoje em Dia / Folhapress

 

São Paulo – Durou aproximadamente meia hora a primeira sessão de julgamento de acusados de serem mandantes da chacina de Unaí (MG), ocorrida em janeiro de 2004. Advogados de defesa conseguiram o adiamento alegando que algumas provas foram adicionadas ao processo sem prévio conhecimento. Com isso, o julgamento começará apenas na próxima terça-feira (27), para dois dos réus. Outros dois serão julgados em 4 e em 10 de novembro.

 

Ontem (22) deveriam ser julgados o empresário Norberto Mânica, acusado de ser o mandante, José Alberto Costa, o Zezinho, e Hugo Alves Pimenta, acusados de participar da contratação dos pistoleiros que mataram três fiscais e um motorista do Ministério do Trabalho. A equipe participava de uma operação de fiscalização a situações de trabalho degradante na zona rural de Unaí, em 28 de janeiro de 2004.

 

Logo no início da sessão, Hugo, que fez acordo de delação, teve o julgamento separado, sem desmembramento dos autos – e seu julgamento passou para 10 de novembro, a partir das 8h30. Norberto e José Alberto deverão ser julgados na próxima terça, no mesmo horário.

 

O quarto réu é o ex-prefeito de Unaí,  Antério Mânica, irmão de Norberto, também acusado de ser mandante. Seu julgamento passou da próxima terça para 4 de novembro, igualmente às 8h30.

 

"Estamos indignados", disse a presidenta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos Jorge. "Acredito que essa manobra é para ganhar tempo para eles entrarem com outras ações, como em 2013 (quando deveria ser realizado o julgamento). Acredito que eles vão tentar de novo."

 

Para ela, a medida indica receio de condenação. Fiscais e familiares continuarão em vigília diante do prédio da Justiça Federal Criminal, em Belo Horizonte. "Vamos continuar cobrando, como estamos fazendo há 12 anos. Não aguentamos mais esse adiamento infinito. Os familiares precisam ter um pouco da paz, desse luto que não acaba. E os auditores também precisam de um pouco de tranquilidade."

Nesta quinta-feira (22/10), a Anvisa determinou a proibição de todos os lotes da Fibra de Maracujá Em  Cápsulas e do produto Sene Em Cápsulas fabricados por Fonte Verde Ervas Ind. Com. Imp. Exp. Ltda ME.

A Agência também proibiu todos os lotes dos produtos 37 Ervas Em Cápsulas e Mix Em Cápsulas da marca Villa Res & Cia da empresa Manoel Vieira Neto.

A decisão ocorreu após a Vigilância Sanitária de Minas Gerais identificar que os produtos não possuíam registros sanitários e tampouco haviam comprovado segurança nas formulações.

 
Fonte: Imprensa Anvisa

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